
O que fazer quando alguém pede ajuda?
Setembro amarelo se tornou conhecido como o mês de campanha para conscientização e prevenção ao suicídio e, um dos objetivos é dizer para quem está com dificuldades: “se precisar, peça ajuda!”. Porém o que fazer quando alguém pede ajuda a você?
A psicóloga Karina O. Fukumitsu, em seu livro Programa Raise – Gerenciamento de crises, prevenção e posvenção do suicídio em escolas, diz que as pessoas que pensam em suicídio não desejam de fato morrer, mas sim matar a dor do sofrimento existencial e, o pensamento de que não há possibilidade de resolver seus problemas intensifica a confusão, até pensar que a morte é a única saída.
Portanto, se alguém procura de alguma maneira você para falar sobre o sofrimento e os pensamentos de morte, as atitudes abaixo podem ajudar:
1. Acolher, acolher e acolher
Segundo o dicionário, alguns dos significados de acolher é amparar, apoiar e proteger e, nesses casos essa é sempre a melhor atitude iniciando com uma boa escuta.
Quando a pessoa em sofrimento pede ajuda, o mais importante é escutar, sem julgamento. Deixe a pessoa falar o que está sentindo, porque está sofrendo e, nesse momento inicial, falar coisas como: “imagino sua dor”, “entendo que não deve estar sendo fácil”, “você não está sozinho”, são falas que a pessoas sente acolhida, pois se sente compreendida.
É importante nesse momento inicial evitar usar palavra motivacionais e focar em palavras de carinho e dar atenção. Com o tempo, em dias mais tranquilos pode-se introduzir conversas sobre possibilidades de solução do problema em questão, mas em momentos de crise, evite sugestões.
O acolhimento não é momento de resolver o problema, mas passar o recado que a pessoa não está sozinho e pode contar com sua ajuda.
2. Ajuda profissional sempre é o melhor caminho
Todo ser humano um dia pensou na possibilidade da morte como solução dos problemas e, quando o pensamento se torna constante, por mais que se peça ajuda aos conhecidos, é imprescindível a ajuda de um profissional.
Nesses casos a psicologia e a psiquiatria trabalham em conjunto, pois a regulação cognitiva é importante para que o processo terapêutico faça sentido para que a pessoa consiga compreender sua dor. É importante compreender que o pensamento de morte está contra a natureza humana que tem como instinto a sobrevivência.
Canais de acolhimento 24h por dia como o CVV (Centro de Valorização da Vida – disque 188), pode auxiliar em um acolhimento em momento de crise, porém o acompanhamento com o profissional frequente é o melhor caminho para que a pessoa possa sair desse lugar de dor e sofrimento.
Diante desses tópicos, fica evidente que uma escuta é a melhor ajuda que se pode oferecer. Vale ressaltar que nem todos pedem ajuda de maneira clara, por isso a importância de observar mudanças de comportamento é imprescindível para se tornar um agente de suporte caso o outro nem perceba que precisa de ajuda.
REFERÊNCIA:
FUKUMITSU, K.O. Programa RAISE – Gerenciamento de Crise, Prevenção e Posvenção do Suicídio em Escolas. São Paulo: Phorte Editora, 2019.

Psicóloga Claudia Barbieri