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O que a Inteligência Artificial não substitui?

A Inteligência Artificial (IA) já faz parte da nossa rotina, e vamos ser sinceros: ela é útil. Automatiza tarefas, organiza dados em segundos, responde dúvidas com rapidez. Em muitos setores, como comércio e tecnologia, ela já até substituiu funções que antes eram humanas, como atendentes, caixas de supermercado, suporte técnico.

Mas… e quando a conversa é sobre cuidar de pessoas?

Aí a história muda de figura.

Existem profissões em que não basta eficiência. Não adianta ter mil informações ou ser rápido na resposta. O que faz diferença mesmo é o olhar atento, a escuta sensível, o estar ali, de verdade. Profissões como psicólogos, médicos, enfermeiros, professores e cuidadores seguem sendo essenciais, e insubstituíveis, justamente por isso.

Na psicologia, não é só a técnica, mas o cuidado e o acolhimento

Na prática clínica, por exemplo, a IA pode até ajudar: organizar agendas, transcrever sessões, sugerir leituras. Mas será que ela entende o silêncio carregado de dor de quem está na frente dela? Consegue perceber quando a pessoa muda o tom de voz, desvia o olhar ou fala sorrindo… mas com tristeza nos olhos?

Quem trabalha com escuta sabe: a presença humana faz toda a diferença.

Não é só sobre aplicar um método. É sobre estar com o outro, sentir junto, saber quando fazer uma pausa, quando acolher, quando provocar. E isso, por enquanto, nenhuma máquina aprendeu a fazer.

E na neuropsicologia?

A IA também pode ser útil na avaliação neuropsicológica: corrige testes, gera gráficos, organiza relatórios. Ótimo. Mas isso é só uma parte da avaliação. O essencial está em como a pessoa se comporta durante o processo. Como ela reage diante de uma tarefa difícil? Ela hesita? Se frustra? Se fecha?

Esses detalhes não aparecem no resultado final do teste, mas dizem muito. E só quem está ali, atento, com escuta e sensibilidade, consegue perceber.

IA como apoio, não substituição

A ideia não é demonizar a tecnologia. Ela veio pra ficar, e pode, sim, facilitar muito o nosso trabalho. Mas quando o assunto é o cuidado com o outro, ainda é o humano que faz a diferença.

Porque no final, nenhum algoritmo sabe o que é estar do lado de alguém em sofrimento. Nenhuma máquina sente com a gente. E cuidar, verdadeiramente, é isso: estar junto.



Referência: PINO, M.; BOUILLON, C. Inteligência artificial e saúde: aplicações, desafios e questões éticas. Frontiers in Medicine, Lausanne, v. 7, 2020. Disponível em: Frontiers in Medicine. Acesso em: 9 jun. 2025.

Psicóloga Vanusa Cardoso

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