PsicoRed

Como Evitar a Procrastinação

A procrastinação, definida como o adiamento de tarefas importantes em favor de atividades menos relevantes, é um problema comum enfrentado por muitas pessoas. Apesar de parecer uma simples questão de falta de disciplina, estudos indicam que a procrastinação está frequentemente ligada a questões emocionais e cognitivas, como medo do fracasso, perfeccionismo e baixa autoconfiança. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem se mostrado uma abordagem eficaz para lidar com esse problema, oferecendo técnicas práticas que promovem mudanças nos padrões de pensamento e comportamento (BECK, 2013; BRITO e BAKOS, 2013).

Compreendendo a Procrastinação pela TCC

De acordo com Beck (2013), a procrastinação pode ser entendida como um padrão disfuncional que é mantido por crenças automáticas e pensamentos distorcidos, como “Eu não sou capaz de fazer isso agora” ou “Preciso esperar até que eu esteja no estado ideal para começar”. Essas crenças levam a comportamentos de evitação que reforçam o ciclo da procrastinação.

Brito e Bakos (2013) afirmam que a procrastinação, na perspectiva da TCC, está associada à dificuldade de regular emoções negativas diante de tarefas percebidas como difíceis ou desagradáveis. Assim, o indivíduo adia a execução de uma tarefa não apenas por preguiça, mas para evitar sentimentos como ansiedade e frustração.

Estratégias Cognitivo-Comportamentais para Evitar a Procrastinação

A TCC propõe diversas estratégias para combater a procrastinação, focando na identificação e modificação de pensamentos disfuncionais e na criação de novos padrões de comportamento. Algumas dessas técnicas incluem:

1. Reestruturação Cognitiva
Essa técnica consiste em identificar pensamentos automáticos negativos que levam à procrastinação e substituí-los por pensamentos mais realistas e funcionais. Por exemplo, substituir “Eu nunca consigo terminar nada” por “Eu posso começar aos poucos e ir progredindo”.

2. Divisão de Tarefas em Etapas Menores
Uma das causas da procrastinação é a percepção de que a tarefa é muito grande ou complexa. Dividir a tarefa em pequenas etapas torna o objetivo mais acessível e reduz a ansiedade associada ao início da atividade (BECK, 2013).

3. Uso de Reforço Positivo
Reforçar comportamentos produtivos com pequenas recompensas pode aumentar a motivação e ajudar a criar hábitos saudáveis. Cada etapa concluída pode ser seguida por uma pausa ou uma atividade prazerosa.

4. Planejamento e Organização
Brito e Bakos (2013) destacam que a criação de cronogramas realistas e o uso de listas de tarefas contribuem para a clareza e o controle sobre as atividades, reduzindo a sensação de sobrecarga e, consequentemente, a procrastinação.

5. Prática da Tolerância à Frustração
Enfrentar a procrastinação também envolve desenvolver a capacidade de lidar com o desconforto e a frustração que surgem ao realizar tarefas difíceis. Com o tempo, essa prática ajuda a reduzir a evitação emocional e aumenta a resiliência diante de desafios.

Conclusão

Evitar a procrastinação não se resume a força de vontade ou motivação momentânea, mas envolve a adoção de estratégias que promovam mudanças profundas nos padrões de pensamento e comportamento. A Terapia Cognitivo-Comportamental oferece ferramentas valiosas para quem deseja superar esse hábito, ajudando a criar uma rotina mais produtiva e saudável. Ao aplicar técnicas como reestruturação cognitiva, divisão de tarefas e reforço positivo, é possível romper o ciclo da procrastinação e alcançar maior bem-estar e realização pessoal.

Referências

  • BECK, J. S. Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed, 2013.
  • BRITO, Fernanda de Souza; BAKOS, Daniela Di Giorgio Schneider. Procrastinação e terapia cognitivo-comportamental: uma revisão integrativa. Rev. bras.ter. cogn., Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 34-41, jun. 2013.

Psicóloga Claudia Paes

Gostou? Deixe um comentário!

Como posso ajudar ?