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Como é Feito o Diagnóstico do Autismo em Adultos?

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos pode parecer desafiador, especialmente quando pensamos na identificação de um transtorno frequentemente associado à infância. No entanto, com os avanços em estudos e instrumentos de avaliação, é possível detectar sinais de autismo mesmo em etapas mais avançadas da vida. Isso pode transformar a vida de muitas pessoas que, por anos, enfrentaram desafios sem entender sua origem.

 

O Desafio do Diagnóstico Tardio

Historicamente, o diagnóstico de TEA esteve focado em crianças, principalmente porque os sinais mais marcantes frequentemente surgem na primeira infância. Contudo, muitos adultos com autismo passaram despercebidos devido à falta de conhecimento na época ou à dificuldade em reconhecer sinais mais sutis, como problemas de comunicação social ou interesses restritos.

De acordo com Bosa (2006), o autismo é um espectro amplo e heterogêneo, o que significa que os sintomas podem variar muito entre os indivíduos. Nos adultos, esses sintomas podem se manifestar de maneiras menos evidentes, como dificuldades persistentes em estabelecer relacionamentos interpessoais ou em compreender nuances sociais.

A Avaliação Neuropsicológica: Um Pilar do Diagnóstico

Para compreender a complexidade do TEA em adultos, a avaliação neuropsicológica é fundamental. Este processo combina a análise de comportamentos, habilidades cognitivas e a história de vida do paciente. A revisão de Silva e Elias (2020) destaca que o uso de instrumentos padronizados, como escalas e entrevistas clínicas específicas para autismo, é essencial para garantir um diagnóstico preciso.

Entre os métodos utilizados, estão:

  • Entrevistas clínicas estruturadas, que exploram o histórico do paciente e seus desafios ao longo da vida.
  • Testes neuropsicológicos, que avaliam funções como memória, atenção e habilidades sociais.
  • Observação direta, para identificar comportamentos característicos do espectro.

Essas ferramentas ajudam a diferenciar o TEA de outros transtornos que podem apresentar sintomas semelhantes, como transtornos de ansiedade ou de personalidade.

A Importância de um Diagnóstico Correto

Receber um diagnóstico tardio pode trazer alívio para muitos adultos que, ao longo da vida, enfrentaram incompreensão e dificuldades. A partir desse ponto, é possível acessar intervenções e adaptações que melhorem sua qualidade de vida, como psicoterapia, treinamento em habilidades sociais e estratégias para o dia a dia.

Além disso, compreender as particularidades do espectro permite que os adultos autistas se reconectem com suas histórias pessoais, ressignificando desafios e fortalecendo sua identidade.

Conclusão

O diagnóstico de TEA em adultos é um processo que exige sensibilidade, conhecimento e ferramentas adequadas. A avaliação neuropsicológica surge como um instrumento indispensável para identificar e compreender as nuances desse transtorno.

Se você ou alguém que conhece enfrenta desafios que podem estar relacionados ao autismo, não hesite em procurar ajuda especializada. Na Clínica Psicored, nossos profissionais estão prontos para apoiar você nessa jornada de autoconhecimento e transformação.

 

Referências Bibliográficas

• Bosa, C. A. (2006). Autismo: Estudos atuais. Porto Alegre: Artmed.
• SILVA, Camila Costa e; ELIAS, Luciana Carla dos Santos. Instrumentos de Avaliação no Transtorno do Espectro Autista: Uma Revisão Sistemática. Aval. psicol., Itatiba , v. 19, n. 2, p. 189-197, jun. 2020

Psicóloga Claudia Paes

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